sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ponto de Ruptura


Como deixar a segurança que aprisiona para buscar a liberdade?

O corpo não gosta de sair de sua zona de conforto, de mudar. Mas para onde ir se o corpo não conhece outra saída.

A Alma é quem impõe uma nova caminhada, diante do desconforto. O corpo então questiona a sensatez da alma.

Se de um lado os portões do passado se fecharam e do outro, as portas do futuro não estão abertas, o homem em sua inércia, é tomado pelo medo que passa a ditar algumas posturas possíveis:

- a primeiro é de permanecer na masmorra que o prende, é o habito do corpo que questiona o sonho da Alma.

- a segundo é de imaginar que a masmorra que o aprisiona possui um dose de liberdade. É o corpo procurando se ajustar as limitações que a vida impõe.

- a terceira é preferir a morte, é se deparar com o insuportável, em que não há mais passado que o defina nem lhe é permitido um novo futuro.

- a quarta é a oração, é que busca via um milagre transformar a masmorra em um novo lugar sem parecer a masmorra.

Todas estas posturas são variações sobre hesitação e vacilação. Qual é o caminho então?

A resposta é atravessar a porta. O futuro só existe se você se põe em movimento. Acampar é empacar. Esse profundo ato de confiança em si, em ir adiante, é que cria condições para se buscar a liberdade. Nenhum “Corpo” abrirá mão de seus interesses para a “Alma” sem que esteja profundamente consciente de seu desconforto.

O que assusta quem busca a liberdade é a possibilidade de estar abrindo mão de sua integridade, identidade e segurança, em troca de uma ruptura que leva para um novo ambiente livre, desconhecido e sem garantia alguma.

Texto adaptado do livro “A Alma Imoral” de Nilton Bonder

domingo, 28 de junho de 2009

O pecado original é o da transgressão

Antigo Testamento, Gênesis
Capítulo 1

27. Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.
28. Deus os abençoou: "Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos...”

Capítulo 2

9. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.

16. Deu-lhe este preceito: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim;
17. mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.”

25. O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam.

Capítulo 3

4. “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis!
5. Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”
6. A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.
7. Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si.

10. E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me.”
11. O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?”
22. E o Senhor Deus disse: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.”

24. E expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

O Criador ao proibir, transgride o que cria, e admite a possibilidade de escolha – da obediência (cumprir) e desobediência (transgredir). Ao transgredir o homem comete o pecado original, sendo expulso do paraíso, não pela tentação do corpo, mas pelo livre arbítrio.

Ao comer o fruto do conhecimento, o homem ganha consciência de sua nudez, e reconhece a necessidade de uma conduta moral. A sua imortalidade agora decorre exclusivamente pela primeira ordem de Deus, “frutificai e multiplicai”, pois fora do Paraíso, o fruto da árvore da vida não está mais ao seu alcance..

Como ser mortal, perderá o direito a eternidade, mas de posse do conhecimento adquirido, procura resgatar um direito que já teve, e através de uma nova transgressão, busca a eternidade pelo caminho da evolução. Essa jornada que iniciou ocorre na mente do ser humano que procura o " Eu Deus" a imagem e semelhança do Criador. Nesta jornada, a cada etapa do caminho, se inventa um novo homem.

sábado, 27 de junho de 2009

A Alma Imoral

Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo.
Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência significa respeito.
Há um olhar que reconhece os cutos caminhos longos e os longos caminhos curtos.
Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade.
Este olhar é o da Alma.
Nilton Bonder.