sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ponto de Ruptura


Como deixar a segurança que aprisiona para buscar a liberdade?

O corpo não gosta de sair de sua zona de conforto, de mudar. Mas para onde ir se o corpo não conhece outra saída.

A Alma é quem impõe uma nova caminhada, diante do desconforto. O corpo então questiona a sensatez da alma.

Se de um lado os portões do passado se fecharam e do outro, as portas do futuro não estão abertas, o homem em sua inércia, é tomado pelo medo que passa a ditar algumas posturas possíveis:

- a primeiro é de permanecer na masmorra que o prende, é o habito do corpo que questiona o sonho da Alma.

- a segundo é de imaginar que a masmorra que o aprisiona possui um dose de liberdade. É o corpo procurando se ajustar as limitações que a vida impõe.

- a terceira é preferir a morte, é se deparar com o insuportável, em que não há mais passado que o defina nem lhe é permitido um novo futuro.

- a quarta é a oração, é que busca via um milagre transformar a masmorra em um novo lugar sem parecer a masmorra.

Todas estas posturas são variações sobre hesitação e vacilação. Qual é o caminho então?

A resposta é atravessar a porta. O futuro só existe se você se põe em movimento. Acampar é empacar. Esse profundo ato de confiança em si, em ir adiante, é que cria condições para se buscar a liberdade. Nenhum “Corpo” abrirá mão de seus interesses para a “Alma” sem que esteja profundamente consciente de seu desconforto.

O que assusta quem busca a liberdade é a possibilidade de estar abrindo mão de sua integridade, identidade e segurança, em troca de uma ruptura que leva para um novo ambiente livre, desconhecido e sem garantia alguma.

Texto adaptado do livro “A Alma Imoral” de Nilton Bonder